Desenhos e brinquedos dos anos 90 ajudam no desenvolvimento infantil?

caverna do dragão

Quem viveu a infância nos anos 90 provavelmente se lembra de tardes inteiras assistindo Caverna do Dragão, brincando com Tamagotchi e bolinhas de gude. Eram atividades simples, com menos barulho, menos pressa e mais tempo para imaginar.

Hoje, muitos pais têm resgatado exatamente esses elementos da infância como uma escolha consciente para os filhos. O movimento vai além da nostalgia. Ele surge como resposta ao excesso de estímulos das telas modernas e à preocupação crescente com atenção, sono e comportamento infantil.

Em vez de vídeos rápidos, cores fortes e brinquedos cheios de efeitos sonoros, essas famílias buscam experiências mais calmas, parecidas com o ritmo dos anos 90.

 

O excesso de estímulos na infância digital

As crianças atuais convivem com uma quantidade de informação muito maior do que qualquer geração anterior. Aplicativos, jogos e vídeos trocam de cena a cada poucos segundos, usam cores vibrantes e sons constantes para prender a atenção.

Plataformas como TikTok e YouTube Kids são construídas justamente para manter o usuário conectado pelo maior tempo possível. Esse formato pode gerar hiperestimulação, dificultando que a criança tolere atividades mais lentas, como ler, desenhar ou brincar sozinha.

A American Academy of Pediatrics recomenda limitar o tempo de telas recreativas a, no máximo, duas horas por dia para crianças em idade escolar, alertando que o excesso está associado a problemas de atenção, sono irregular e alterações comportamentais.

Na prática, muitos pais relatam irritabilidade, dificuldade de concentração e dependência de estímulos constantes após longos períodos diante de telas rápidas.

O que torna os desenhos dos anos 90 diferentes

Os desenhos dos anos 90 tinham outra lógica narrativa. As histórias eram lineares, os episódios mais longos e o ritmo mais estável. Havia pausas, diálogos claros e menos cortes bruscos.

Produções como DuckTales, Pokémon e X-Men: The Animated Series mantinham a atenção sem sobrecarregar os sentidos. A criança conseguia acompanhar a história com calma, entender conflitos e usar a imaginação.

Esse ritmo mais lento favorece o processamento cognitivo e emocional, além de incentivar a concentração por períodos mais longos.

Brinquedos dos anos 90 X brinquedos atuais

Nos anos 90, a brincadeira dependia muito mais da criatividade. Cuidar de um bichinho virtual, montar blocos ou inventar histórias com bonecos exigia paciência, narrativa e autonomia.

Já grande parte dos brinquedos atuais vem com luzes, músicas altas, comandos automáticos e respostas imediatas. Segundo a Common Sense Media, muitos produtos infantis hoje são conectados com IA ou altamente interativos, oferecendo estímulos constantes que podem reduzir o tempo de atenção sustentada.

Não por acaso, cresce a busca por brinquedos clássicos como os brinquedos feitos de madeira. Pais relatam que as crianças passam mais tempo envolvidas na brincadeira e demonstram mais criatividade quando os estímulos são simples.

 

Quais as recomendações no Brasil

No contexto brasileiro, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta:

  • zero telas para menores de 2 anos
  • até 1 hora diária para crianças de 2 a 5 anos
  • no máximo 2 horas para 6 a 10 anos

A organização também incentiva a chamada “desintoxicação digital”, com foco em atividades de baixo estímulo, brincadeiras livres, leitura, contato ao ar livre e interação familiar.

Estudos indicam que a redução do excesso sensorial pode melhorar a atenção, diminuir birras e favorecer o vínculo entre pais e filhos.

 

Como aplicar o estilo anos 90 na rotina

Trazer esse resgate para o dia a dia não exige mudanças radicais. Pequenos ajustes já fazem diferença.

É possível substituir parte do tempo de tela por desenhos clássicos, criar momentos fixos para brincadeiras manuais, buscar brinquedos simples em brechós ou reaproveitar jogos de tabuleiro. Estabelecer limites claros para vídeos curtos e priorizar conteúdos mais longos e tranquilos também ajuda a regular o ritmo da criança.

O objetivo não é eliminar a tecnologia, mas equilibrar. Menos excesso e mais qualidade.

O retorno aos desenhos e brinquedos dos anos 90 não é apenas uma tendência nostálgica. Para muitos pais, trata-se de uma estratégia de cuidado com o desenvolvimento emocional e cognitivo dos filhos.

Em um cenário de estímulos constantes, oferecer experiências mais simples pode ser justamente o que permite à criança brincar melhor, dormir melhor e se concentrar melhor.

REFERÊNCIAS:

Excess Screen Time in US Children: Association With Family Rules and Alternative Activities – PMC

Aviso de brinquedos habilitados por IA da Common Sense Media: ‘não testado’, ‘insalubre’ e ‘inseguro’

Os Perigos Ocultos do Tempo de Tela: Protegendo Crianças e Adolescentes Neurodivergentes

The Kids Aren’t All Right … Thanks to Their Phones – Alumni Association of the University of Michigan

SciELO Brasil – Uso de telas por crianças e adolescentes hospitalizados: percepção dos cuidadores Uso de telas por crianças e adolescentes hospitalizados: percepção dos cuidadores

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